E assim nos tornamos corinthianos…

Vejo muitas semelhanças entre a final da Libertadores da América 2012 e a decisão do Paulistão 77. Minha memória de criança de sete anos remete para uma quarta-feira fria. A Praça do Boi em Araçatuba (SP) sendo tomada por uma festa popular… histeria coletiva… Minha primeira referência de “coletividade”. Surreal, abissal aos olhos de um guri abestado. Reduto elitista e restrito as aglomerações pela ditadura, o “jardim da praça” ficava no caminho para a escola. Na manhã seguinte ninguém foi trabalhar. A festa seguia! Quis ficar ali! Meu querido pai, palmeirense fanático, tentou blindar seu único filho. Foi minha querida madrinha, a Tia Ivone e meu saudoso padrinho, o Tio Alfredo que me resgataram. Aprendi naquele dia que tem time que tem torcida. Mas no Corinthians a torcida é que tem um time! Lembro da perua alucinada pelas ruas. Foguetes, abraços, acenos e buzinas…Tinha calor de gente! E foi assim que me tornei Corinthiano e a roupinha de periquito foi deixada de lado. Tal qual a batalha épica contra a simpática macaca, a partida de amanhã é repleta de tabus e ineditismo. Para ser campeão dessa bagaça só se for invicto? Então seremos o melhor de todos os campeões. Final contra a equipe mais legitima dos latinos? Que final! Um roteiro digno de Scorsese.. Um trailer nervoso e apaixonado; filmado por pretos e brancos da Democracia Corinthiana. Vai Curintiaaaaaaaaaaaaaa!!! Quinta-feira é feriado e novos “louquinhos” irão se juntar ao nosso bando de loucos! (Marcello Lujan)

Um clube libertador nas américas…

O humorista Rafinha Bastos comentou que o título do Corinthians na Libertadores deixará o humor mais pobre. Muitas piadas serão encerradas. De fato! Quando era criança, diziam “você é muito novo, muda de time, faz 23 anos que esse não ganha nada”. Então… ganhamos o Paulistão numa batalha épica contra a simpática macaca. Hoje, o SCCP é disparadamente o maior vencedor do campeonato paulista. Depois era a estória do campeonato nacional. Hoje somos pentacampeões do Brasileirão. Tinha também a prosa do “time sem estádio”. Eis que será no nosso canto a abertura da Copa do Mundo no Brasil. Aliás, estão todos convidados para a maior festa do futebol mundial. Pode vir que a casa é sua!!!  Mas pra mim nenhum título “é e será” mais importante do que a era da Democracia Corinthiana, que levou ao universo do futebol (manipulado pela ditadura) o debate sobre a democracia. Ousamos, desafiamos um sistema violento e repressor, expondo na mídia (também manipulada) diversas mensagens pró-democracia. Ao lado dos comícios pelas Diretas-Já, “nosso toque de letra” foi a pá de cal do regime. Uma partida de futebol não pode (nem deveria) interferir em nossas vidas… É só um jogo entre iguais. Já a liberdade é consagrada. Assim, meu time fez e faz história, está perpetuado nos livros de história. É o maior orgulho que tenho do meu querido Timão. Quanto às piadas do Rafinha Bastos, ele que use de sua liberdade de expressão e vá zoar com outro!

Where Is My Mind (Pixies – versão Sandino)

Certa vez estava caminhando pelas praias desertas de Ilhéus…não sei por que cargas d’água veio uma canção do Pixies na cabeça…sem pretensão alguma, fiz uma versãozinha em português…

 

Where Is My Mind (Pixies – versão Sandino)
Com seus pés no ar e a cabeça no chão (plante uma bananeira!)
Vou te dar um toque, gire, gire, roda, roda…
… Sua cabeça vai dar tilt se não tiver nada lá dentro
E você vai encasquetar, vai questionar e perguntar?

Cadê minha mente?
Onde foi parar minha cuca demente?
Cadê minha mente?
Onde foi parar minha cuca demente?

Eu estava mergulhando nas praias da Bahia
Tinha muitos peixes escondidos nas pedras
Apareceu meia dúzia de peixinhos coloridos
Que me disserem que o leste é oeste e que o sal é doce!

Cadê minha mente?
Onde foi parar minha cuca demente?
Cadê minha mente?
Onde foi parar minha cuca demente?

Lá longe na água, veja ela está boiando…
Lá na água, está boiando!

HISTÓRIAS QUE VI NO JORNALISMO II

HISTÓRIAS QUE VI NO JORNALISMO II – Talentoso, dinâmico, versátil… um amigo (não vou contar o santo) iniciou sua carreira como locutor ainda muito jovem. Sem estar totalmente familiarizado com a discoteca/arquivo da rádio, resolveu atender ao pedido de um ouvinte que queria homenagear sua esposa – que fazia aniversário. Não deu outra: ele digitou o nome da mulher no computador: “SILVIA” e mandou ao ar essa pérola. “Fulano de tal dedica essa musica para sua esposa Silvia, com muito amor e carinho!”. A música é um clássico do Camisa de Vênus – que ele desconhecia e que de homenagem não tem nada! Quem não conhece a canção, vale a audição para entender a saia justa que ele se meteu!

HISTÓRIAS QUE VI NO JORNALISMO I

HISTÓRIAS QUE VI NO JORNALISMO I – E lá foram todos da gráfica atrás dos cartazes pregados pela cidade… Hoje praticamente não há mais tipografia. Mas antigamente uma letra fora de lugar fazia uma diferença… Não tinha “word” para digitar, revisar… tudo era feito na “mão”, na “raça” – letra por letra formando uma frase. Certo dia, quase que a casa caiu por causa da letra “u” . Um simples cartaz, um erro tosco e tomamos no… De “Sensacional festa ANUAL do asilo São Vicente – prestigiem nossos velhinhos”, para “sensacional festa ANAL do asilo São Vicente – prestigiem nossos velhinhos”, deu uma confusão tamanha!

Resquícios de um país elitista e desumano…

Absurdo!!! Na cidade de Franca (SP), moradores de rua de estão sendo presos por “vadiagem”. A PM alega que cumpre a solicitação da Justiça. Pobres coitados, sem oportunidades, cuidados… Vítimas de uma ação discriminatória e inconstitucional! Resquícios de um país elitista e desumano.

Maldito ou bendito?

Ando relendo, conhecendo, garimpando, fuçando a obra do maldito bendito da Taverna… As letras sagazes de Paulo Leminski… o olhar cotidiano que passa batido, a presunção necessária diante da velhacaria, idiotice… Dono de poucas e boas palavras. Corta o coração, dá tilt (agora são “bugs”) na cuca, transmuta a alma… O cara escreve demais da conta… Leiam (sempre mais!) Paulo Leminski !!!

wimwenders e aprendendo

Quando tinha dezoito anos, achava que o universo musical se resumia ao punk. Aquele discurso juvenil clichê : “indústria fonográfica, atitude, alternativo…”. Naquela época, minha visão limitada tapava meus ouvidos. Besta e imaturo, eu achava que o Cazuza não passava de “um burguês, um viadinho mimado”. São tolices da adolescência… Só depois de um tempo, abri minha mente lesada… Deixo aqui minha gravação caseira, captada no microfone do PC, uma versão para um clássico de Agenor, o maior poeta de uma geração. Ahhh quanto ao punk…ouço quase todos os dias o estilo, num playlist com “novos/velhos punks”, como Nelson Gonçalves, Noel Rosa, Sinatra…A gente muda e fica menos mudo.

 

Pobre São Paulo, pobre paulista!

Demorou, mas aconteceu! Foi preciso um jogador famoso passar por um “seqüestro-relâmpago” para que o mundo tomasse conhecimento dessa prática criminosa que cresce assustadoramente em São Paulo. O reinado tucano que saqueia SP com cara de “bonzinho da Opus Dei” vêm escondendo há anos os índices (reais) de violência. Enquanto rolam os seqüestros e caixas eletrônicos explodem na esquina, a PM/SP executa cidadãos nas margens de rodovias, batem em estudantes, jogam bombas em camelôs e pegam carona nos holofotes de crimes bizarros. Pobre São Paulo, pobre paulista!