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Radiohead em Sampa: entre o céu e o inferno

Purgatório
[Do latim purgatoriu]
S. m.
3. Teol.: Lugar de purificação das almas dos justos antes de admitidas na bem-aventurança.

O purgatório:
Quanto a produção do evento Just a Fest, já tá repercutindo na web a tosquera de como a coisa foi feita.
Não estou acostumado a frequentar esses eventos, então tudo era festa e alegria (o que não é difícil com a companhia dos manos seresteros), e o esquema que escolhemos pra ir (excursão) também facilitou bastante, mas há relatos de arrombamentos de carros no estacionamento oficial, e demora de 2 horas pra conseguir sair.
A cena da saída, em particular, com todo mundo empaçocado, andando a passos de tartaruga, me lembrou um filme de zumbis, muito bizarro, lamentável. Uma confusão qualquer ali e seriam necessários muitos caminhões pra recolher toda a merda que se espalharia.
Uma síntese do que viria foi ver na entrada um cara ajoelhado pra conseguir comprar um ingresso – não porque ele implorava mas por conta da altura das aberturas improvisadas no muro, que serviam de bilheteria – deviam ter feito um pouquinho mais baixo, assim quem fosse usar precisaria ficar DE QUATRO, e a analogia ficaria perfeita.
Eu fui preparado pra uma versão tupiniquim de Woodstock, com barro pra todos os lados, mas por sorte não choveu como estava previsto.
Os preços de comida e bebida (enquanto não acabaram) eram extorsivos – cobrar R$ 6 por um COPO de água, pra quem tá no meio da multidão, apertado e respirando a fumaça é no mínimo DESUMANO.
Mas, por fim…

A bem-aventurança:
Absolutamente fantástico o show do Radiohead. Acho que todo mundo que curte o som dos ingleses (e até quem não é fã) deve estar falando o mesmo – ouví um monte de “foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida”.
Ví um e outro dizer que “faltou tal música”, mas acho que isso é reclamar de barriga cheia.
O show foi perfeito, na escolha do setlist, na qualidade do som e na iluminação e efeitos de palco.
Em determinados momentos, os falsetes de Thom Yorke e a iluminação do palco me transportaram para um ambiente onírico, do qual não se quer acordar.
As duas horas e vinte passaram num segundo – enquanto a espera de quarenta minutos entre o Kraftwerk e o Radiohead pareceram uma eternidade.
Precisei de uma boa dose de resignação pra suportar esses 40 min de espera final – não fosse um copinho de água, minha capacidade de aguentar o martírio se esgotaria e eu teria ido pra lateral ou pro fundo da chácara, pra assistir de longe.
Pode ser coisa de quem há tempos não assistia a um grande show, mas até na escolha das bandas anteriores ví uma coerência, com o discurso de perdedor dos Los Hermanos e o show dos computadores do Kraftwerk (que acompanha o Radiohead na turnê – ou seja, não foi escolha da PlanMusic).
O Kraftwerk foi massa, como disse o Marcelão, uma visão de como seriam as músicas se COMPOSTAS pelos computadores.
O Los Hermanos foi OK, e fiquei com a nítida impressão que o Amarante tinha exagerado na cachaça antes de entrar no palco – uma voz embargada além do normal.
Achei incrível uma certa dispersão após este show, ou seja, teve gente que pagou duzentos pilas pra ver Los Hermanos. Assustador, hehehe…
***
Resumindo: Senhores, creio que vimos a HISTÓRIA acontecendo.
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Algumas repercussões (clique nos títulos para ler os textos completos):

Scream&Yell: Radiohead honra o mito em São Paulo
“A banda retornou para o (primeiro) bis com a baladaça “Videotape”, então os céus se abriram para “Paranoid Android”, um dos pontos altos de toda carreira do Radiohead. Ao final da canção, porém, o inusitado aconteceu. O público continuou fazendo a segunda voz (que na música é de Ed O’Brien) mesmo com a canção terminada, e Thom Yorke entrou no clima: pegou o violão e voltou a fazer a primeira voz entrelaçando-se com a platéia num daqueles momentos raros que valem uma vida. Emendou “Fake Plastic Trees” e todas as dúvidas se dissiparam antes mesmo do fim do primeiro bis: São Paulo estava assistindo à provável melhor apresentação do Radiohead nos últimos anos.”

Trabalho Sujo: A César o que é de César
“O Radiohead foi do caralho, ao contrário do Just a Fest – que foi um grande foda-se pro público – Vamos separar as coisas: os shows que o Radiohead fez nesse fim de semana talvez tenham sido os melhores shows internacionais que o Brasil recebeu neste século. Catártico, profissa, emotivo e cabeça ao mesmo tempo, os shows derrubaram queixos, expectativas negativas e lágrimas, provocando comoção em até quem não acha a banda grande coisa.

Meu nome não é superoito: Radiohead em São Paulo
“O rigor técnico aliado à interpretação emotiva, a pompa de superprodução afinada à elegância do conceito (até as cores do telão, em meios-tons, impressionavam pelo detalhismo, pela finesse). Os sets que mudam a cada concerto, mas são sempre executados de forma impecável. Improvisos calculados, mas que soam vivos, doídos, frágeis. Thom Yorke é o Kurt Cobain que cresceu, entendeu os mecanismos da música pop e venceu o monstro sem desligar-se da angústia (e viver neste mundo continua difícil, com ou sem maturidade).”
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Voltemos a nossa programação normal…

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  1. March 30th, 2009 at 16:46 | #1

    Gucca, quanto ao setlist, cara, não há como, sempre vai faltar a sua preferida…e não é má idéia uma semana inteira de show, se for naquele patamar de qualidade, hein? hehehe

  2. March 30th, 2009 at 16:45 | #2

    É Sandino, consumidor aqui é tratado como lixo mesmo…

  3. March 30th, 2009 at 16:44 | #3

    Ah, boa tentativa, Gordin – pode ser, pode ser…

  4. André Luiz
    March 30th, 2009 at 12:21 | #4

    Seresteros minha teoria sobre nosso amigo Tom Yorke: ele veio do futuro e pela dor que os sons nos causam, a Skynet venceu!!!!

    []’s

  5. March 28th, 2009 at 01:04 | #5

    Belo relato. Uma prática tupiniquim “crássica” em shows internacionais…extorquir nos alimentos e bebidas…ninguém toma nenhuma medida…o MP já foi mais rock n´roll.

  6. March 27th, 2009 at 22:59 | #6

    Darção, eu trocaria duas músicas do set list por The Bends e Airbag… mas, difícil mesmo é escolher as duas infelizes para serem excluídas daquele show que teve 100% de aproveitamento. Uma música completava a outra. Então, eu diria que faltaram umas 50 músicas. Pena que levaria 1 semana para eles tocarem todas. Querer não é poder… hehehe! Fã é fã!!!

  7. March 24th, 2009 at 20:22 | #7

    É, cara, os relatos são feios… acho que se o show tivesse sido uma mer**, ia chover processo sobre a produtora.

  8. diguim
    March 24th, 2009 at 18:31 | #8

    Mano, cheguei em casa 3 da madruga, isso pq tive sorte de achar um infeliz como eu no ponto de Onibus/Taxi que ligou para um parente busca-lo. Peguei uma carona até achar um taxi. Q merda de organização, e o pior, não dá pra fazer nada. e blazil/blazileiros.

    Do resto, sem comentários. Bom demais.

  9. March 24th, 2009 at 17:37 | #9

    Me senti mais no céu do que no inferno, confesso.

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