Literatura

Neil Gaiman discorre sobre o poder da literatura em nossas vidas

A nova encarnação desse blog se propõe a textos longos também. Abaixo reproduzo discurso interessantíssimo do Mestre Gaiman, sobre como a leitura pode impactar nossas vidas. Sempre disse que o melhor presente que alguém pode me dar é um livro.
Como sei que você tem preguiça de ler, grifei os pontos que creio mais interessantes.
Então respire e mergulhe, pequeno gafanhoto.

Palestra de Neil Gaiman para a Reading Agency, realizada no Barbican em Londres, em 14 de outubro:

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“É importante para as pessoas dizerem de que lado elas estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.
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Cinema

Filmes: Star Trek : Além da escuridão

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Estou colocando em dia os blockbusters nerd que perdi no cinema. Finalmente vi Star Trek : Além da escuridão [7,9/10 no IMDB].
Com esse filme, segundo da nova fase trazida pelo J.J. Abrams, mais uma vez com a trilha excepcional do Michael Giacchino, Kirk é obrigado a tomar difíceis decisões, amadurecendo o personagem, e enfrenta um vilão cruel maestralmente interpretado por Benedict Cumberbatch.
A película tem ação, drama e homenagens à série clássica em medidas perfeitas.
Até entendo os trekers xiitas que não aceitaram a mudança realizada em Spock, mas não me incluo entre esses fanáticos.
Somos privilegiados de poder ver novamente esses personagens que nos fizeram sonhar com o universo em nossas infâncias, agora com toda a tecnologia de efeitos especiais desenvolvidas por algum moleque que, ao ver as maravilhas do futuro imaginado por Gene Roddenberry, decidiu criá-las.
Todo mundo sabe que os smartphones são tricorders.

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Cinema, Uncategorized

Filmes: Thor – O mundo sombrio

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Ontem vimos Thor – O Mundo Sombrio [7,7/10 no IMDB], segundo filme solo do mitológico deus nórdico da Marvel.
Sim, deus nórdico, prefiro esse conceito a opção adaptada para as telas, em que os asgardianos são apenas extraterrestres poderosos que vivem 5 mil anos. Mas é só um detalhe.
Excelente filme, onde mais uma vez Loki, o irmão treteiro do herói rouba a cena. Que personagem!
Nos gibis, sempre gostei de sua postura sarcástica, seus truques sujos (e inteligentes!), sua maldade empostada.
E nos filmes o deus da trapaça não deve em nada para o original das HQs. Sempre que Tom Hiddleston está em cena, podemos esperar vilania em seu grau máximo.
Achei esse filme melhor que o primeiro principalmente por mostrar bem pouco da Terra, e nos apresentar todos os outros reinos.
Quando a ação se desenvolve na Midgard, é difícil não lembrar dos tokusatsus como Jaspion, Changeman e Power Rangers.
A cena pós-créditos apresenta Guillhermo del Toro como o Colecionador, recebendo mais uma jóia para sua coleção. Aposto que terá papel importante na vinda de Thanos com a Manopla do Infinito, uma arma que junta as Jóias do Infinito e dá ao portador a capacidade de moldar a realidade!
Enfim, o filme do Poderoso Thor deixou o universo Marvel nos cinemas em um ponto interessantíssimo para a próxima aventura dos Vingadores!

Como curiosidade, o Ramon Vitral juntou no link a seguir todas as cenas pós-créditos, algo que já virou marca registrada dos filmes da Marvel – no segundo Thor, são duas!

Todas as cenas pós créditos dos filmes Marvel.

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Contos

A chave de fenda

Marte?

A chave de fenda se desprendeu da fuselagem exatamente três anos, quarenta e sete dias, vinte e três horas e trinta e seis minutos depois da decolagem – foi o que o sistema de bordo registrou, pelo menos. Desenhou uma elipse furiosa em sua trajetória, atingindo a escotilha a duzentos e sessenta e cinto quilômetros por hora – isso foi calculado pelos engenheiros posteriormente. Causou um buraco do tamanho de uma laranja média, dessas cultivadas na Califórnia, não daquelas italianas.
Yuri Medevodev, lisboeta filho de diplomatas ucranianos, mal teve tempo de acionar qualquer dispositivo ou avisar seus companheiros, Ananova Kingstonian, búlgara, e Adailson Ferreira Oliveira da Silva, pois é.
A radiação do sol fritou-os instantaneamente. Seus restos mortais só seriam resgatados após quatro tentativas.

A noite anterior fora de lavar a alma. Bebera tanto que ainda sentia o amargor da cerveja porcamente industrializada na boca. Também pudera, merecia esse desaforo após tantos dias de trabalho extenuante. E os Kings estavam liderando, diabos.
Sua esposa não ficaria exatamente feliz, já que as chances de vomitar os snacks – salsicha misturada com pão e pickles – no sofá novo eram de oitenta e nove por cento.
Infelizmente, a idade já mostrava suas longas e enrugadas garras formadas por unhas nunca aparadas, e seu fígado não respondia tão bem aos excessos quanto há alguns anos. Portanto, num cálculo mais apurado, de fato as chances de colocar a bílis para fora eram mesmo de noventa e sete por cento.
Na terça voltaria ao trabalho no Kennedy Space Center, onde iria ajudar nos últimos acertos para o lançamento da Pioneer XXI, orgulho da nação, um brinco de espaçonave.

No exato momento em que Yuri, Adailson e Ananova queimavam a seis mil, duzentos e oitenta e nove graus Celsius, uma tailandesa dava a luz a trigêmeos siameses, assim chamados não porque nasceram ligados, mas por que nasceram na Tailândia, antigo Sião; um chinês andava despreocupadamente pensando se iria ou não comprar oito porquinhos malhados para os festejos de ano-novo; e um argentino acabara de saber por telefone que seu melhor amigo fugira com sua mulher. Não que qualquer desses fatos triviais tivesse qualquer relação com os astronautas. Mas em Las Cruces, Novo México, John Miller comia a sua oitava enchilada, e sabia que se aquilo voltasse, mancharia irremediavelmente a mobília preferida de Marie, já não tão nova assim.
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Escrevi esse conto há uns anos. Com a estréia de Gravidade, decidi colocá-lo aqui. Mudei apenas o nome de uma personagem, em homenagem a Breaking Bad.

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Eles voltaram. O Pearl Jam lançou ‘Lightning Bolt’, seu décimo álbum. Estou degustando aos poucos, já que não é todo dia que uma de suas bandas favoritas coloca disco novo na praça.
Acima o vídeo do baladão “Sirens”. O guitarrista Mike McCready, autor da música, disse: “Eu estava num show do Roger Waters, e estava completamente deslumbrado com “The Wall”. Eu queria escrever algo que tivesse um sentimento pinkfloydiano. Gravamos a demo, mas Vedder só compôs a letra na segunda vez que voltamos à ela. Ouvi a letra na noite em que ele a compôs, e fui às lágrimas. Esse é o Eddie em sua melhor forma!”

Será que é muito cedo para concluir que “Sirens” é a nova “Black”?

Contos

O Tapaolho

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Um tapaolho. Essa era a mais evidente excentricidade do escrevente, a que todos podiam ver.
Tinha outras, mais íntimas, como colocar uma gota de mostarda no café, ou calçar o mesmo sapato até que acabasse.
Mas o tapaolho tinha a função de esconder uma órbita vazia.
Cego desde os 20, dizia a todos que fora em 95 na Guerra Civil Iugoslava: um estilhaço se alojou no crânio, que ainda o tinha e pressentia mudanças no clima.
Podia usar óculos escuros, como fazem muitos cegos, mas não queria. Queria mesmo era usar bigodes, mas não podia. Com tapaolho e bigode, pareceria um Errol Flynn acometido de alguma doença respiratória grave.
Naquele dia estava a caminho da repartição pública onde dava expediente de segunda a sexta das oito às onze e das treze às dezessete.
***
O motorista acordava todos os dias no mesmo horário.
O telefone móvel fabricado por chineses quase cativos com placas cobertas de metais semi-raros extraídos por nigerianos comprovadamente escravos fazia vezes de despertador.
Ele era metódico. Sua vida era comandada pelos ponteiros, se ponteiros o mostrador digital do celular tivesse.
Seis e trinta e sete acordar, seis e cinquenta e dois sair do banheiro já com o uniforme devidamente vestido, sete e trinta sair com o caminhão refrigerado para o frigorífico, onde chegaria exatamente sete e quarenta e nove. Tempo mais que suficiente para registrar o ponto e se dirigir ao carregamento de caixas congeladas, cheias de corações bovinos. Exceto quando encontrava com a carroça do carroceiro na rua dos bandeirantes, estreita demais para ultrapassar.
Naquele dia estava quase sendo alcançado pelos porcos gigantes com olhos de fogo, tentando desesperadamente correr mais e mais, o que foi ocasionado pela digestão difícil do pernil assado devorado no jantar de seu quadragésimo quarto aniversário, quando acordou assustado e descobriu uma das muitas desvantagens de comprar equipamentos não certificados pela agência responsável: a bateria, ou qualquer outra parte do seu improvisado despertador sino-nigeriano, falhara.
Atrasadíssimo, afinal eram sete e dezesseis, saiu num rompante, com o cabelo meio desgrenhado e a certeza de que ia ser um dia de merda.
Na esquina da bandeirantes com a revolucionários de trinta e dois, a exatos quarenta e três quilômetros horários atropelou um cara que não vira o caminhão branco se aproximando pela esquerda, justamente o lado do qual perdeu um olho quando caiu bêbado sobre uma ponta de aço exposta na obra a caminho da pensão que ocupava durante sua estadia de dois anos em Portugal, trabalhando como servente de pedreiro.
Agora sim estava miserável e definitivamente perdido.
Seu chefe iria lhe estragar o resto da semana, nem na semifinal do campeonato que aconteceria no sábado teria prazer, já que seu time tinha poucas chances de classificação.

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tamo_vortano

😉
Daqui pra cima é 2013 e além.

Daqui pra baixo é abandono.
:.(

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Em instantes voltaremos com nossa programação [a]normal

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